
Parece mentira: nem tudo melhora com mais saneamento
Por Dr. Paulo Aligieri
O saneamento melhora ou reduz doenças como infecções intestinais, verminoses, etc. Curiosamente, a situação de outras enfermidades pode piorar. Por exemplo, a hepatite A é uma infecção transmitida por um vírus que aparece nas fezes dos pacientes. Quando o saneamento era precário, as crianças entravam em contato com o vírus ainda pequenas. Nas regiões de bom saneamento, o contato com o vírus acontece em fases mais tardias da vida. Mas a doença não se deve apenas a uma agressão do vírus sobre o fígado.
O microorganismo desencadeia uma reação no qual alguns glóbulos brancos destroem células do fígado cheias de vírus. Este mecanismo é mais brando nas crianças e mais violento em adultos. Em decorrência, o quadro clínico dos adultos pode ser mais grave do que nas crianças. A maior oferta de água e esgotos desloca a faixa de idade de maior incidência da hepatite A e também aumenta o risco de formas mais graves da virose. Já dispomos de uma vacina eficaz e segura contra a hepatite A. É composta de vírus inativado e bastam duas doses para obter imunidade em praticamente todos os pacientes.
Deve ser administrada quando a criança tem um ano de idade. É eficaz, segura e a dor da aplicação é mínima. Não está disponível nos postos do governo que fazem aplicação rotineira, mas apenas em locais que atendem casos especiais (chamados Centros de Referência) e nas clínicas particulares de vacinação.
Paulo Aligieri
e-mail: p.aligieri@uol.com.br
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